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ROD BRITTO novos mundos de consciência
O poeta.
Márcio-André. Esse. Isso. Cosmos. OX. E que experiência não foi a que tive
ao tomar parte nesse enorme poema que após desafiar mesmo o céu com
apelidos, dizendo-se dono da bola consciente, a deixar as estrelas sem
mais o que fazer, cansadas no espaço aberto, fecha-se num livro, se
consagra, em tempo ou sem ele, consagrando-se ao reunirem-se suas partes
neste volume dos Intradoxos – sem contar outras medições, consagração pelo
menos de ordem subjetiva, minha e com certeza que dá um troço nos mais
aficionados que têm na palavra artes um sinônimo de vida, prazer e nada de
duchas morais. Por falar em palavra – e tantas me ocorrem após o deslanche
por que passei – não sei muito se o melhor a dizer é que ‘tomei parte’, ou
o tétrico ‘mergulhei’ (e me afoguei, desta vez sem os apelos habituais do
charme ideológico dos outros, por incrível que pareça, ‘me’ afoguei
inconseqüentemente); ou mesmo falemos que ‘fomos seqüestrados’ de nossas
impaciências, logo não expiando mais as culpas, pois que enquanto durasse
o cativeiro, o poema em aberto tratando da gente, seguissem como seguem
nossas impaciências mantendo a inconsciência em meio às aspirações do
poeta, ainda no ar, por aí – mas aí que não determinaríamos jamais se
lúcidas ou transformadas pelo quê, no livro, depois dele... Só sei agora
que tudo junto mais nos transformam conscientes, espontaneamente, sem
imantarmo-nos, mais pacientes... Ou mesmo se passei, se passei e sigo
ileso desse poema, muito mais do que simplesmente as coisas do espírito;
abatimento; o troço em que falara; sabe-se aqui o quê. Desse poeta.
Reconfortado é que não estou, diante da pureza. Ora o quê: ali é puro
desdém aos objetos mais conhecidos. Porra! Faz pensar mil coisas novas.
Origina o debate; etc as formas. Os arranjos de imagem nos aparecem sem
controle, sem colher de chá aos desavisados, passarão por cima deles como
na BR, que ali, logo ali, imaginem, só imaginem, há um artista em plena
dicção de seu ofício, de seu sentir, de seu imaginar. Logo aqui. Grande,
infinito, vê-se o mundo por ele. E se o mundo é de máchinas, de dureza,
também é de saltos, miragens, joelhos, viradas abruptas, de colírios
outros! Amigos, avante, resistamos! Apenas consideremos as imagens
reveladas. E aos outros, todos os outros, aos mais medrosos: tomem suas
casernas, sentem praça, suas campanhas; façam suas derradeiras inspeções,
anti-saliência; peguem no braço de uma pelúcia de verdade e segurem bem no
darem início a essa leitura do poeta que daqui em meio a ele lhes mando
notícia, acerba, crítica, pois não; aperceberão, se já não tarda, que os
homens ainda são dignos de outros mundos particulares, por pura
implicância ao único que se diz possível hoje em dia, mundinho comprimido;
fazemos por implicância, por saúde, por conhecimento, no que entendemos
dele. O poeta. Márcio-André. Sim. Fotógrafo. Sonhador. Agradeço os sonhos
passados. Se passados eu nem sei ainda. Futuros. Não completamente, que em
mim, ainda ardem por dentro. Presente. Puro presente. Um troço. Valeu!
Rod Britto é poeta e jornalista, autor dos livros Barriga D´água e Se que.
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