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ANTÔNIO JARDIM

 

 

 

Em seu incessante movimento perpétuo de sons e articula-sons e suas respectivas ausências, semiais e mais semiais pluri-multi-voco-aurais-estruturais, este trabalho se des-dobra, isto é, se estabelece do sine-plex ao cum-plex, num muito amplo espectro de realizações e desrealizações poéticas que con-vertem cada momento em movimento e cada movimento em momentos onde kairós e áion se misturam e surpreendem qualquer tipo de cronicidade. O tempo se suspende. Pára. O espaço se suspende, encolhe e toma lugar a perpetualidade.

A plurivocidade é característica determinante desta poética de espácio-temporalidades que se conformam a partir de uma tentativa de pan-linguagem que se dis-põe para o horizonte das possibilidades de quem puder percebe-las.

Assim, caminham os caminhos constituídos da poiesis, da mousiké, da prosa, lado a lado com a des-poiesis, a des-música e a des-prosa, numa re-ligação ensandecida, numa re-linguagem tão inaugural quanto atual. A atualitas não é por si. É em si, enquanto ato restaurador do que na poesia é a origem que jamais pode estar perdida. Os caminhos de Márcio-André se fazem caminhos e abrem caminhos onde cada passo funda o próprio caminhar e o caminhar, é caminhada da configuração de múltiplos direcionamentos. Dessa maneira: é verdade! Na verdade o que se tem é uma poesia re-constituindo o que é próprio ao saber do poeta-cantor originário, isto é, o con-solidar e con-siderar de uma philo-poiesis como princípio.

 

Antônio Jardim é compositor, professor de estética da UERJ e de teoria literária da UFRJ

 

 

 

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