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ENCONTROS
> COMENTÁRIOS DOS LEITORES
de: Rosana A. F.
Sardi
para:
Márcio-André
data: 15/02/2008 02:12
assunto: uma tarde em Chernobyl
Márcio-André,
Você é mesmo surpreendente. Um poeta, um sujeito engraçado, sensível à
vida e tudo que se diz dela, sejam casas, sonhos, cidades. Talvez a
matéria de seu trabalho não seja a palavra, e o mundo das letras, mas sim
a vida e tão somente a vida. Te vejo sensível a tudo que vibra, formiga,
lateja, morre, e se eteceteriza... E é daí que você tira a sua arte...
Senti vontade de te escrever depois de ler esse seu texto (não tenho
adjetivos para dar a ele)... Sei lá, simplesmente me senti próxima, e com
vontade de te dizer isso.
A propósito, sou de Brasília, e estudo Deleuze no meu doutorado, dou aula
na Universidade Federal de Pelotas (na Faculdade de Educação) e moro em
Porto Alegre. A vida é imensa, e o mundo também (e cada um de nós então,
nem se fala). Adorei quando li em seu texto — Nada era casa, pois nada era
centro – mas sempre margem, da qual estávamos sempre partindo. E ver as
fotos, ouvir-ler as descrições dos lugares, me fez lembrar de Spinoza que
escreveu: “Cada coisa esforça-se, tanto quanto está em si, por perserverar
em seu ser”... Como pode haver tanta vida em um lugar teoricamente
impróprio para a vida?
Obrigada! Hoje, você e a sua performance em Pripyat aumentaram a minha
potência de pensar, ser, e viver...
Um abraço feito de afeto,
Rosana Sardi.
de: Rosa Kapila
para:
Márcio-André
data: 03/02/2008 12:52
assunto: Li seu Chernobyl...
Olá Marcio,
Li seu artigo sobre sua visita a Chernobil. Achei muito bem escrito mas
também achei loucura de sua parte. Eu não iria num lugar desses por todo o
dinheiro do mundo. Me lembrei do Edgar Allan Poe naquele conto: O barril
do amontilado. Loucura! Loucura!
Achei corajoso de sua parte passar por tamanha tensão... talvez vc. tenha
alma de alpinista e fique bem feliz com o perigo.
Rosa Kapila
de: Fernando
Pérez
para:
Márcio-André
data: 19/07/2007 10:11
assunto: da china
Caro
Marcio-Andre:
O meu nome é Fernando Pérez, sou chileno, estudante de doutorado em
literatura comparada na NYU, em Nova-Iorque.
Eu queria contar a você que eu acabo de receber o seu livro por uma
curiosa trajetória: um poeta chinês que tinha estado em Portugal (Xiao
Kaiyu) o ofertou ao meu professor Richard Sieburth quando ele fez uma aula
sobre Ezra Pound na Universidade de Beijing. Ao voltar a NY, ele me deu o
livro, porque ele não compreende o português e porque eu estou fazendo uma
tese sobre o concretismo e a recepção da obra de Ezra Pound no Brasil, um
tema com o qual o seu livro parece ter vínculos importantes.
Eu só comecei faz pouco tempo a ler o seu livro e a entrar pouco a pouco
nele, mas pensei que você gostaria de conhecer a historia da sua longa
viagem até NY. Mais adiante talvez a gente poderia conversar um pouco
sobre a presença de Pound na sua obra. Atenciosamente,
Fernando Pérez
de: yaya
para:
Márcio-André
data: 13/05/2007 01:16
assunto: encantada! o corpo da cidade
oi!
cheguei até você e até a revista confraria quando estava cansada de
escrever minha monografia sobre a ausência do ser humano nos espaços e na
cidade... digitei no google algo como: cidade fala frase... procurando por
alguém que me falasse sobre o falar da cidade. e aí me deparei com um
artigo que não tinha só a voz da cidade que fala, mas o corpo inteiro
dela! agora "tenho" o corpo da cidade!
obrigada pelo artigo que encheu meus pulmões de ar!
essas horas agradeço à santa cidade internet e às energias e forças que
nos fazem chegar aos caminhos certos no emaranhado de ruas virtuais.
fuçando mais um pouquinho no seu site encontrei bachelard... quanta
alegria! ele está no meu trabalho, agora, se me permite, citarei seus
texto também. vi que você escreveu sobre a "relação" das casas com o céu
antes mesmo de ter lido a frase dele. é isso aí, tudo pré-existe e quem
estiver ligado capta!
após ter captado, começam a aparecer mais e mais coisas ligadas àquela
sensação, àquilo que foi percebido, àquela sacada ou insight.
acho que foi isso que aconteceu quando eu digitei: cidade fala frase. rsrs
desculpe-me a invasão-virtual e viva a poética do espaço!
abraço,
yaya
de Vania marques
para:
Márcio-André
data 01/05/2007 13:16
assunto Aquisição de livro
Márcio-André,
Estou encantada com tudo que VC escreveu sobre a casa. Faço mestrado em
Políticas Públicas na UECE, e a minha pesquisa é um estudo de caso tendo
como objeto um Conjunto Habitacional Popular, foi em Bachelard na A
Poética do Espaço que dei vazão ao sentimento poético que em mim habita,
associado a importância da realização do "sonho maior que é a moradia"
Pergunto, é no livro CAZAS que estão os belos ensaios que acabo de ler ?
Como compra-lo?
Com certeza em muito contribuirá p/ enriquecer o meu trabalho
Aguardo breve resposta
Atenciosamente,
Vânia Marques
de: tatafco
para:
Márcio-André
data: 31/03/2007 06:30
assunto: ensaios no confraria
caro
márcio-andré, seus ensaios são das coisas mais belas que já li. vc está
compondo outros? vai lançá-los no site confraria? um grande abraço pra vc
e os outros colaboradores. a confraria é uma jóia rara em meio ao lixo que
somos obrigados a consumir através da mídia. continuem com essa força! vcs
devem estar cientes que o trabalho de vcs presta um serviço à liberdade e
à formação de indivíduos. grande abraço!
Otávio Cintra
de: Sebastião
Edson Macedo
para:
Márcio-André
data: 02/03/2007 01:17
assunto: seu texto sobre a poética do bairro
oi marcio-andré, tudo bem?
olha, li seu texto com muito interesse e achei-o cheio de boas idéias. não
resisti em dialogar com ele.
primeiro, porque gosto muito da idéia de poemas-bairro, inclusive tenho, a
partir dela, introvisões de tua perspectiva; entretanto, não me diz muita
coisa, ou coisa análoga, a construção que propòe com livros-volantes "que
se escrevem a partir de uma praça central". achei isso obscuro. não seria
o vocábulo volante algo que remeta ao seu similar passante? nesse caso,
sendo o livro o próprio leitor que contém (ou opera) a leitura do
bairro/poema? não sei. isso me deu um curto-circuito, que ponho em debate.
depois, pergunto-me se a esfera em que é possível admitir um cosmo e os
mitos de um bairro não é subsidiária de uma relação com as demais esferas
discursivas de toda uma cidade. ou seja: a origem, o rito, o limite
singular e particularizado da poética de cada bairro é uma rede
interdependente de leituras de mundo. e nesse caso, cada bairro não teria
exatamente a "sua" cosmogonia, a "sua" narratologia, mas fragmentos
incompletáveis de um "kaós" que nunca lhe pertenceu sem lacunas ou com
exclusividade (talvez, exceto, no caso do centro de uma cidade, se se
aceitar, como o Paulo Barreto aceita, que o centro existe como núcleo
indivisível rejeitando as noções de centro comercial, alimentício, de
lazer, histórico etc.).
acho que a potência de acúmulo do bairro que vc identifica nas esquinas é
uma idéia muito produtiva e creio que ainda vai bem de ser mais
desenvolvida. Não sei se vc gosta do benjamin, mas há algo nos textos dele
que aponta para o acúmulo (em geral) como uma função da aura (nas obras de
arte). isso pode ser explorado, inclusive, pelo viés do olhar estrangeiro:
quando depara-se com uma esquina, é possível que sinta sua aura, tornando
aquela uma obra (por acumulação de olhares? não sei. tenho que pensar...).
por essa mesma linha de raciocínio, gosto da idéia do shopping como uma
rasura no texto poético (que afinal o que vc me faz entender com "um
tumor" sobre o "matagal"). mais acúmulo. e olhe que o shopping também roga
pra si uma aura. aliás, é na arquitetura que reside a aura asséptica do
comércio.
bem, é isso. depois conversamos mais. um abraço e obrigado por
compartilhar suas idéias.
ah, e traga notícias de coimbra.
s.
de: Fatima Santos
para:
Márcio-André
data: 30/01/2007 11:36
Márcio-André,
sigo sendo sua fã;
sua escrita me emociona e me faz pensar (!), sempre.
O que foi esse tsunami poético sobre as ruas, a arquitetura, os
bairros!!!!
[ ]'s saudosos,
Fatima Santos
de: George
Ribeiro
para:
Márcio-André
data: 25/12/2006 07:31
assunto: Saudações
Uma criança sai do seu prédio, adentra o parque, caminha pelas passagens
secretas, e chega num muro. Aqui está um limite, e lá fora está um outro
mundo, cheio de segredos, e a criança passa a imaginar. Depois volta ao
parque, brinca com os mesmos amigos de sempre, vai crescendo e mapeando o
condomínio, com eventuais escapadas para fora do muro, geralmente de carro
com os pais, e, as vezes, sozinha; Uma geografia forma-se aos poucos, não
uma geografia da cidade, pois essa está para fora do limite, mas uma
geografia detalhada, como aconteceria num vilarejo pequeno. Não sei julgar
ao certo qual das geografias é preferivel, essa, microcósmica, ou a outra,
da qual dizia no seu último ensaio. Mas, se isso servir de consolo, há
muito menos condomínios do que não condomínios.
Chamo atenção para esse detalhe, com intúito de referir me a uma outra
perspectíva geografica. Uma certa nano-geografia que encontra aplicações
curiosíssimas na história. O Xogunato no Japão era extremamente
restritivo, e não permitia estrangeiros em suas terras, nem que seus
concidadãos se aventurassem para fora dos limites das ilhas. Criou-se uma
tradição, então, de viagens pelo próprio Japão, viagens estas, que
ocorriam no verão e eram detalhadamente anotadas. As anotações constituiam
uma herança da família, e eram passadas de geração em geração. Não é
dificil imaginar que o assunto repetia-se constantemente, e uma forma de
diferenciar uma viagem da outra passou a ser uma preocupação. Assim, não
descreviam-se os locais em geral para onde tinha-se ido, mas os detalhes
mínimos do clima, as associações que provocavam, as pecliaridades de uma
certa arvore, ou planta, comparações com notas feitas anteriormente, busca
de uma pormenorização cada vez maior, com incorporação de desenhos. Dessa
forma, um mega arquivo sobre esse país foi adquirindo proporções quase
absurdas. Temos aqui, talvez, uma explicação para a horda de japoneses
correndo pelas cidades do mundo numa ancia incontrolavel de fotografar e
registrar.
Num certo sentido, há um ponto onde as geografias macrocósmicas, e
microcósmicas se encontram, e acabam complementando uma a outra. O
subjetivo em demasia acaba enclinando-se para a necessidade de
objetividade, e o objetivo em demasia começa a buscar uma generalização,
ou o abstrato. Então eles se beijam exatamente nos seus pontos mais
“altos”, nos seus ápices, que tendem num movimento apendicircular a
transbordar-se no outro.
Veja, mesmo o caráter da minha resposta é quase que um contraponto ao seu
maximalismo. E essa minha resposta, partindo do objetivo vai inclinando-se
para o abstrato. Mas é melhor eu voltar ao objetivo, pois a intenção era
somente tangenciar o seu quadro, para sondar as intenções da sua poesia
espacial.
Aguardo uma resposta, portanto; E vou ficando por aí. Saudações.
George
Yurievitch Ribeiro
de: Roberta Gatti
Geraldi
para:
Márcio-André
data: 26/07/2006 18:20
assunto: AMEI!
Quanto mais leio
mais gosto de ler o Marcio-André. Parabéns.
Roberta Gatti Geraldi
de: Roberta Negri
para:
Márcio-André
data: 19/07/2003 09:21
assunto: Hopper???
Olá Márcio-André...
Então, estava navegando pela net e a procura de textos, autores...para
escrever minha monografia. Sou Arquiteta e estou me especializando em
Design de Interiores. E como meu tema é "A INFLUENCIA DA CORTINA NA
PAISAGEM URBANA", quero fazer uma ligação entre a janela e a cortina, na
procura por janelas...achei seu ensaio. E achei interessantíssimo!!! Você
escreve muito bem. Até coloquei Hopper no Google, mas como não sabia nada
sobre ele, não soube qual Hopper seria, entende?!
Mas agradeço muito pela sua atenção!!! Você foi muito gentil em ter
respondido, porque isso muitas vezes não acontece!!!
Uma boa semana!!
Roberta
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