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TROVA
andamento largo ao fundo uma matraca se mantém até o último verso
: : : : o poema elétrico ao corpo elétrico [esta eletroflorese] : : : T_____ : : ser uma antena de TV nas lajes entre exaustores : roupas acenam a desculpa do pregador rabiolas reclamando a quietude da pipa ! calhas : medulas d água
: : : : : : carne bovina desidratada cominho tomilho urucum ácido fólico malta dextrina glutamato a metafísica dos descartáveis — chorume verde como a pele de ágata das massas marinhas — o homem [criatura frágil dentro de grandes estruturas] atravessado por lâminas móveis da fuselagem de um trem [os homens se esbarram todas as noites no remendo dos sonhos] São Paulo placa de circuito que aflora eletrosférica pulsante e a massa de prédios um código fluorescente alternando fases e archimétrica [poliedro de cimento o planalto-mar de Brasília
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[coro]:[a cabeça é levemente levada para trás cuando o maxilar mastiga e fala a sopa de carne semipronta com macarrão e legumes uma intumescência de vidraças varejeiras ante o convexo da colher a cabeça riscada no gás lavrada nos entroncamentos da noite [cenário noir: com pessoas abrindo e fechando guarda-chuvas] e o tempo que resta dela sentada ao piano e fumando o tempo com suas mãos de bauxita negra o tempo de todas as mulheres belas e de tailleur enrabadas pela cidade que cuando chegam em casa se envergonham de seu orgulho e cuando finalmente amam já é tarde demais o tempo das pessoas que levam choque por existir [são essas que um dia falam “é agora” e entram em combustão espontânea] das pessoas que cuando olham o relógio é sempre um número repetido o tempo escrito numa tatuagem no avesso da pele entre rachaduras intradérmicas o tempo do cristão que acha que o diabo espreita o tempo com suas idéias desossadas e condensado no vértice das fábricas na medula dos encanamentos [a mais insondável distância acolhida no verbo terra [fuselagem a carne de seu nome]] viver é respirar um pouco mais ao lado uma trachéia lunar na garganta lugares com visto para outros lugares [amar um outro é reinventar o seu tempo dele]] o flanco das dragas confere dragões chaminés disputando nuvens com o céu
[um prédio só deixa de existir em : : :] [ser vasto cuando falta espaço — :calado por não sabê-lo certo o silêncio nunca ninghém pensou o futuro das ruas ] toda cidade no alicerce de seu acaso
num mundo de coisas oblongas enviesadas :palavras cuasecoisas
livro a não escrever nem dizer [no vão]
e as torres da Light dulcimer de força num horizonte âmbar-nácar
calombos não migram de corpo [cada um é seu próprio topônimo]
nascer num lugar é fundá-lo
Philippa ao ser engolida pelo peixe [um peixe ácido imenso e no estômago achecida de universo só seu
concha acústica a boca da baleia as dobras herbáceas no glauco das ondas ] e o Mar da Trancuilidade lua vitrificada de Andrômeda
mha senhor de que morredes? o corpo d alva-dona nas barbatanas do castelo o tule ouro-roxo os estandartes o seio-olho de carne espiando através
ela que não foi pensada antes de Filippo ela que deixou de acreditar
o cinema foi criado para simular a morte a memória inventada na cartilagem de nós
ela que matéria bruta esmagada por edifícios ela que]
Philippa medíocre entre os dentes do peixe estraçalhada seu corpo de inglesa
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