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MOVIMENTO PERPÉTUO: VAZIOS VÃOS
toda sorte de moinhos e velas velado céu de limites em lugares onde a luz foi talhada forma e o barro erro
tarde que erra pela janela nuvens movendo telhados
silêncio que avança suave em ruas ruínas do tempo cantos e cortinas nas chinas de cal detalhes de casas lembrando lugar nenhum
além da via férrea Via Láctea
o campinho de várzea os meninos tão passado e suas existências somente meninos
cimento antes só estradas e universos a velha fábrica e cerca no fim da rua curvas
um pé de mesa madeira tosca rangendo recordações
e tudo teve lugar no tempo mundo recente Macondo e tudo carecia de nome
ontem impossível e eterno
na prolixia-silêncio de uma cadeira de balanço ir-vir de risos em mãos frias sabedoria inechívoca de serenidade
e setenta anos de desencontros e cartas deixadas a ponta da pena
nem amor nem justiça são cegos só a saudade — indivisível forma de futuro e passado não esconde verdades nem desculpas
durante vasto em depois tão curto
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